MODELO ECONÔMICO BRASILEIRO DEVE SER ESTUDADO, DIZ EURODEPUTADO BENIFEI

brando-benifeiO modelo econômico brasileiro merece ser estudado dentro do contexto de reavaliação global do sistema político-econômico, explica o eurodeputado italiano Brando Benifei (Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu) em entrevista à EUBrasil.  Um dos mais jovens eurodeputados da atual legislatura, Benifei – também membro da Associação – demonstra forte interesse pelo Brasil, fala dos problemas dos jovens no país e na UE e do posicionamento político do Brasil na América Latina.

EUBrasil: Quais as razões do seu interesse pelo Brasil, assim como pelas iniciativas promovidas pela Associação EUBrasil?

Brando Benifei: O modelo econômico brasileiro deveria ser estudado com maior atenção, uma vez que o país tem a capacidade de conjugar uma economia de mercado aberta com elementos de intervenção pública e presença do Estado Federal. A reavaliação global imposta pela crise mundial não se concluiu ainda e na Europa estamos observando como as ideias, até hoje predominantes, são postas em discussão. Nesse contexto, prestar atenção a um modelo como o brasileiro talvez possa ser muito útil.

Além disso, o Brasil é o quinto país por dimensões geográficas e demográficas e a sétima economia mundial. Suas características colocam-no naturalmente numa posição de destaque na América do Sul e, ao mesmo tempo, o faz assumir um papel internacional, colocando-o no centro de muitos processos globais. Por isso considero que acompanhar o desenvolvimento da realidade brasileira tem hoje um significado estratégico, tanto em termos de realidade como de perspectivas. Desenvolver e intensificar as relações entre a UE e o Brasil – tarefa à qual se dedica a Associação EUBrasil – me parece, portanto, crucial.  Além disso, sendo um eurodeputado italiano, faz ainda mais sentido estar interessado no Brasil dadas as relações historicamente profundas entre os nossos dois países.

EUBrasil: O senhor é um dos mais jovens eurodeputados da atual legislatura. Qual a sua consideração política sobre a juventude brasileira de hoje e de amanhã?

Brando Benifei: Ao longo da minha atividade como deputado, tenho lidado com as questões da juventude e em particular com o desemprego dos jovens – aumentado a níveis preocupantes pela crise na Europa. No Brasil, as questões da juventude são de grande importância devido à grande participação de jovens na população em comparação com o envelhecimento da estrutura demográfica da UE.

Alguns dos problemas confrontados pelos jovens de hoje em dia são idênticos, seja no Brasil ou na UE: o problema do desemprego, o consumo de drogas e o crescimento do racismo e da discriminação. O problema educacional tem a sua importância central. Acredito que mais investimentos e a melhora do sistema de ensino sejam o rumo principal a seguir para resolver uma série de desafios sociais e econômicos: ajudar muitos jovens a sair da marginalidade e ativar processos de mobilidade social. Claro, isso deve ser acompanhado de uma ação de política no mercado de trabalho, que desenvolva oportunidades concretas e consistentes para os jovens depois de terem completado sua formação e educação.

EUBrasil: O Brasil, mesmo sendo de longe o país mais importante da área cultural ibero-americana, nunca agiu como líder natural deste enorme espaço latino. Na sua opinião, trata-se de uma ocasião perdida ou de prudência ditada por outros interesses geopolíticos estratégicos?

Brando Benifei: Uma das causas reside na natureza dupla do Brasil: por um lado, um país central da América do Sul e, por outro lado, um país que naturalmente possui uma projeção mais global, devido ao seu tamanho, recursos, população e potencial econômico.

O forte crescimento econômico do qual o país se beneficiou, pode ter levado a colocar num segundo plano o objetivo de uma hegemonia brasileira regional numa área que, de todas as maneiras, apresenta profundas diferenças entre os vários países, cada um deles com características específicas. Contudo, um esforço para uma maior cooperação na região seria, no meu modo de ver, oportuno.