ULTRA HD VIA SATÉLITE – TENDÊNCIAS DE HOJE E EVOLUÇÃO DE AMANHÃ

Christoph-Limmer

O futuro das transmissões via satélite na América do Sul

Ultra HD é o próximo estado da arte em termos de tecnologias para vídeo. Seu salto em termos de qualidade e experiência imersiva é comparável à transição do preto e branco para cores, analógico para digital e digital para alta definição. Os especialistas preveem que mais de 800 canais Ultra HD estarão em transmissão dentro dos próximos 10 anos, com o crescimento amplamente impulsionado pela recepção do satélite direto nos lares (DTH) e o mercado latino-americano que é responsável por 13% dos canais. Embora em um estágio inicial sob a perspectiva comercial, o ecossistema de Ultra HD tomou forma rapidamente. Escreve Christoph Limmer, Vice Presidente Global Sales and Commercial Development Video da Eutelsat e membro da EUBrasil.

Os aparelhos de TV Ultra HD 4K que são vendidos no varejo por menos de US$1.000 são produzidos agora por quase todos os principais fabricantes de eletrônicos de consumo e os primeiros conversores 4K (STBs) também estão chegando ao mercado. A GfK diz que mais de 12 milhões de aparelhos de TV foram distribuídos mundialmente. São naturalmente retrocompatíveis, o que significa que podem ainda exibir sinais SD e HD, que são convertidos de forma ascendente para 4K internamente no aparelho de TV. Os vendedores de equipamento de consumo indicam frequentemente que as telas 4K, mesmo quando não alimentadas por imagens 4K nativas, em qualquer caso mostram uma qualidade de imagem melhorada em relação ao HD. Mesmo sem programas e conteúdo 4K regulares, as vendas de telas 4K continuam progredindo, porque o desejo por telas novas é um processo não relacionado simplesmente à disponibilidade de conteúdo. Quando as telas planas e as telas de HD fiaram com preço acessível, elas substituíram rapidamente os aparelhos de TV CRT, apesar da falta inicial de conteúdo HD e programação HD. As telas Full HD substituíram progressivamente também as telas HD-Ready e é provável que esta tendência seja repetida com as telas 4K que substituirão as telas Full HD, assim que as telas 4K forem tão econômicas de produzir como as telas Full HD.

Há dez anos, a Alta Definição começou realmente a acelerar com a chegada da codificação MPEG-4. O Ultra HD deve também progredir com a chegada de outro padrão de codificação: HEVC (Codificação de Vídeo de Alta Eficiência) do qual se espera ser de 30 a 40% mais eficiente que o MPEG-4. Os conversores existentes (DVB-S/ MPEG-2 / SD e DVB-S2 / MPEG-4 / HD) serão substituídos progressivamente por televisores de DVB-S2 / HEVC/ Ultra HD.

Os satélites serão as plataformas principais para entrega de Ultra HD. A Eutelsat já está transmitindo dois canais 4K de demonstração na Europa com compressão HEVC, com 50 quadros por segundo e com profundidade de cores de 10 bits. 

A produção de conteúdo, um fator de sucesso importante, está também em ascensão, conduzida por empresas como Netflix, que estão filmando séries importantes como House of Cards em 4K. Alguns eventos principais, incluindo três partidas da FIFA 2014, foram produzidos em 4K Ultra HD e transmitidas via satélite como demonstrações e/ou experimentações públicas. Nove partidas da FIFA 2014 foram filmadas também em 8K Super Hi-Vision.

Elas representaram oportunidades valiosas para técnicos e equipes testarem e comprovarem a nova tecnologia e fornecerem o feedback essencial para fabricantes e vendedores que lhes ajudarão a corrigir e melhorar seus produtos atuais. 

A expectativa da Eutelsat é que as plataformas de TV paga serão as primeiras a propor canais de televisão 4K aos seus assinantes. Seguindo o mesmo caminho da Alta Definição, espera-se que o 4K surja em países caracterizados pelo alto poder de compra, com um mercado de vídeo competitivo, como os Estados Unidos, o Japão, a Coreia, a Europa Ocidental e partes da América Latina. Espera-se que o Ultra HD seja guiado pelo mesmo conteúdo em relação à Alta Definição quando ela apareceu primeiro, ou seja, por esportes e cinema.

Nós acreditamos que é questionável se OTT   será um meio eficaz para entregar transmissão 4K ao vivo para milhões de usuários. A transmis)são contínua de 4K requer que a conexão da Internet que serve a cada usuário seja capaz de sustentar a taxa de transferência muito alta para suportar a taxa mais elevada exigida pela transmissão contínua 4k. A Netflix recomenda pelo menos 25 Mbps, que limita de fato seu uso aos clientes conectados através de FTTH, isto é, uma pequena minoria de usuários. Além disso, o tráfego e os custos CDN representam um importante custo recorrente que os operadores OTT terão de enfrentar para entregar 4K. Os fornecedores OTT pagam hoje cerca US$ 0,03 (três centavos de dólar) pela entrega de uma hora de vídeo SD para um único usuário, enquanto eles deverão pagar até seis vezes mais pelo conteúdo 4k por um único usuário devido à taxa de transferência mais elevada. Os custos de CDN aumentam também linearmente com o número de usuários atendidos, significando que a entrega de algumas horas de conteúdo 4k para milhões de usuários OTT gerará rapidamente custos de seis dígitos aos fornecedores de OTT.

Os satélites, ao contrário, são significativamente mais eficientes em custo, entregando eficientemente alta taxa de transmissão para milhões de usuários, com baixos custos de largura de banda. O valor agregado principal da transmissão 4K é sua qualidade superior.

Nós antevemos que quando os radio difusores lançarem a primeira oferta de canais, eles fiarão atentos em definir a taxa de transferência exigida a fim de manter a alta qualidade em toda a cadeia de entrega até as telas do usuário. E nesse estaremos ao seu lado para nos associarmos a eles nesta nova aventura com os satélites projetados para cada região, em especial o satélite EUTELSAT 65 West A para a América Latina.