Levy reforça necessidade de impulso brasileiro no comércio mundial

Por Enrico Ponzone

Em seu discurso de abertura na Bolsa de Valores de Londres com a presença da EUBrasil (13/05), o ministro Levy fez um comentário incomum para um ministro da Fazenda: diante de uma sala cheia de investidores, ele apontou para “um novo impulso brasileiro no comércio global por meio de medidas de facilitação do comércio com os nossos parceiros da UE” e também mencionou a “necessidade de reduzir os custos de conformidade”, comentários que, sem dúvida, aumentam as expectativas em Bruxelas onde a falta de progresso nas negociações do Mercosul foi recentemente reiterada por um alto funcionário do Serviço Europeu para a Ação Externa.

Estas observações não são muito comuns tendo em vista que não foram feitas pelo ministro do Comércio Exterior ou da Agricultura, peças-chave para a UE, mas pelo principal ministro neste segundo governo Rousseff.

Conduzindo o Brasil em meio a tempestade  

levyJoaquim Levy também disse que espera uma “reviravolta na percepção econômica e empresarial nos próximos meses”. Muitos de seus argumentos para convencer o público repousam sobre a capacidade de impor uma disciplina fiscal rigorosa. Isso, segundo ele, levaria ao aumento dos investimentos atraídos pela “redução do risco agregado abrindo espaço para o risco privado”. Grande parte de sua ação se apoia em reverter os benefícios fiscais e cortar os gastos: “não vamos aumentar os impostos, mas reduzir isenções fiscais existentes”.

Levy passou a enfatizar a necessidade de aumentar a produtividade, reconhecendo claramente o calcanhar de Aquiles da competitividade brasileira, mas acrescentou que isso era necessário para “sustentar o crescimento dos salários”.

Sobre o uso controverso de recursos do BNDES para financiar o crescimento, ele parece sinalizar que haverá uma mudança política, sublinhando que “o foco estará em gerar novos negócios, em vez de financiar atividades existentes”.

O ministro, em seguida, disse que espera que o Banco Central mantenha a pressão inflacionária sob controle através de novos aumentos nas taxas de juros. Um dos participantes da conferência salientou que o objetivo fundamental deste governo deva ser no mínimo o de preservar a classificação de grau de investimento (“investment grade”) da dívida do país (recentemente confirmado no nível mais baixo da categoria BBB).

Enquanto Joaquim Levy parecia otimista de que os resultados de todos esses esforços devem ser visíveis no verão de 2016, a tempo para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, os mercados poderiam ser perdoados por seu ceticismo: o ministro não conseguiu envolver o público com a sessão Q&A (perguntas e respostas)e prontamente dirigiu uma mensagem ao Lloyds Bank, deixando a sala que estava lotada se perguntando se ele cumprirá as promessas em um tempo tão curto e com colegas de governo tão relutantes.

Enrico Ponzone é diretor de Relações Internacionais da EUBrasil – economista e analista financeiro de mercado.