Acordo de livre comércio Mercosul-UE: Brasil anuncia que bloco está pronto. UE pede sinalização mais clara.

A Associação EUBrasil promoveu na terça-feira (21/04) um encontro para que o setor brasileiro de suco de laranja e do etanol e do açúcar pudesse mostrar algumas barreiras de comércio entre Brasil e União Europeia (UE). As negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e UE também foram tema do debate.

Estiveram presentes cerca de trinta participantes. O encontro abriu com uma apresentação do diretor comercial da Citrosuco, Tim Kaden, e da chefe de assuntos internacionais da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Géraldine Kutas.

Tim Kaden

Tim Kaden, diretor comercial da Citrosuco

A partir dessas apresentações, o debate durou aproximadamente duas horas e aconteceu sob as regras de Chatham House, que prevê que os participantes possam discutir temas controversos livremente, tendo a certeza de que seus nomes não serão divulgados, nem o conteúdo discutido.

Após a reunião o presidente da EUBrasil, Luigi Gambardella, ressaltou a importância de eventos como esse, citando que encontros dessa natureza levam a um entendimento claro às instituições europeias, ao governo brasileiro e à indústria de ambos os lados. “Temos muitos desafios pela frente como as negociações da UE e Mercosul e a comunicação com troca de pontos de vista é sempre necessária”.

A EUBrasil solicitou duas declarações para ilustrar o que foi dito durante o grupo de trabalho.

O chefe de Divisão para América do Sul do Serviço Europeu para Ação Externa (EEAS), Adrianus Koetsenruijter, disse que “a UE precisa de garantias por parte dos países do Mercosul para uma negociação adequada, evitando o fracasso, porque se não pudermos concordar com os termos da negociação seria lamentável e poderíamos ver o acordo final somente em – por exemplo – 2030, o que ninguém quer”.

Segundo a chefe da Missão do Brasil junto à União Europeia, embaixadora Vera Machado, “o Brasil e a União Europeia compartilham entendimentos sobre a importância de um avanço nas negociações de um acordo comercial Mercosul-UE. O Mercosul já completou sua oferta conjunta de acesso ao mercado e está pronto para a próxima etapa do processo: a troca de ofertas com a União Europeia”.

O etanol brasileiro

Ainda sobre as barreiras tarifárias, Géraldine Kutas reiterou: “o etanol de cana brasileiro tem todos as credenciais ambientais, econômicas e sociais para complementar a produção europeia e ajudar a UE a atingir sua meta de redução de emissão de gás de efeito estufa em 2020. É uma pena que este potencial não possa se realizar por causa da tarifa de importação, que hoje é de 0.19 euros/ litro.

Geraldine

Géraldine Kutas, chefe de assuntos internacionais da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar)

A laranja brasileira

Os problemas tarifários que envolvem a laranja prejudicam ambos os lados. “O grande problema é que estamos em um ambiente que vai encolhendo e temos cada vez menos oferta de frutos e, por outro lado, temos cada vez menos frutas e frutas processadas (suco) consumidas”, afirmou Tim Kaden.

Se nada for feito, continuou Kaden, isso vai acarretar sérios problemas para os agricultores brasileiros que não recebem dinheiro suficiente para a produção de laranja. Enquanto na Europa, fruticultores e processadores vão esmagar cada vez menos frutos. Além disso Kadem apontou uma diminuição expressiva no consumo de suco de fruta.

Uma sugestão seria a utilização de parte das verbas de marketing da UE para promover suco na Europa. Isso beneficiaria tanto os agricultores brasileiros e os agricultores europeus e processadores de suco”, finalizou Kaden.