Fórum Brasil-Europa: Brasil pode exercer mais influência na política mundial

Left to right: Eurodeputado Paulo Rangel, deputado Eduardo Barbosa, Estevão Chaves Rezende Martins da Universidade de Brasília, eurodeputado Francisco Assis e diplomata Oswaldo Biato, diretor do dept da Europa no Itamaraty.  Photo: Agência Câmara

Left to right: Eurodeputado Paulo Rangel, deputado Eduardo Barbosa, Estevão Chaves Rezende Martins da Universidade de Brasília, eurodeputado Francisco Assis e diplomata Oswaldo Biato, diretor do dept da Europa no Itamaraty.
Photo: Agência Câmara

Associação EUBrasil ressalta no XXII Fórum Brasil-Europa, organizado pela Fundação Konrad Adenauer, que o Brasil e a União Europeia precisam trabalhar juntos para aumentar as oportunidades comerciais e de investimentos em ambas as regiões. O evento aconteceu em Brasília, ontem (17 de março), no Congresso Nacional. Reuniu 25 palestrantes brasileiros e europeus e recebeu cerca de 200 participantes.

“A parceria estratégica entre UE e Brasil é a nossa capacidade de enfrentar em conjunto os desafios globais”, afirmou a Embaixadora Ana Paula Zacarias, chefe da Delegação da UE no Brasil durante a abertura do evento. Ela ressaltou que o XXII Fórum Brasil-Europa marca o início da agenda de diálogos bilaterais deste ano, que tem pela frente a reunião da Comissão Mista UE-Brasil, uma série de diálogos sobre educação, drogas, direitos humanos e sociedade da informação, além da visita ao Brasil da alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, Federica Mogherini, que deve acontecer em maio e ainda, a VIII Cúpula Brasil-UE a ser realizada no segundo semestre.

O representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, Felix Dane, destacou a importância de boas relações entre países. “Os Estados não são mais soberanos, porque a economia é hoje interligada. Não dá mais para pensar em países isolados”.

“O Brasil é visto no exterior como um ator global importantíssimo”, afirmou o eurodeputado Paulo Rangel, presidente da Delegação para relações com o Brasil. Para Rangel, o Brasil se destaca no grupo dos BRIC. “O Brasil cresceu não apenas economicamente, mas cresceu com avanços dos direitos humanos e no desenvolvimento social. Essa é a principal diferença entre o Brasil e os outros países do BRIC”, afirmou Rangel. “O Brasil tem potencial para influenciar os países em desenvolvimento pelo caminho que fez”, acrescentou.

Já o deputado Eduardo Barbosa, presidente do Grupo Parlamentar Brasil-UE, afirmou que “Brasil e UE atingiram um dos pontos mais altos na história de suas relações políticas, econômicas e comerciais, mas estas ainda não alcançaram o seu verdadeiro potencial”

Economia e Meio Ambiente

O diretor de Relações Institucionais da EUBrasil, Enrico Ponzone, reforçou a importância da parceria entre Brasil e a União Europeia durante o terceiro painel do evento sobre economia e meio ambiente. “Mas o setor privado precisa ser melhor representado em Bruxelas, onde há apenas a presença das instituições tradicionais”, afirmou ele.

Ponzone ressaltou que as regulações são a principal barreira para o desenvolvimento dos negócios entre o bloco e o Brasil, e disse que “por meio de diálogo, o Brasil tem condições de avançar agendas e destravar temas importantes, como na área do agronegócio”. Ele abordou a cooperação na área ambiental, principalmente em relação à energia renovável, dizendo que poderia ser um incentivo para que a UE consumisse mais etanol.

Eduardo Viola, cientista político da Universidade de Brasília, também participou do debate sobre economia e meio ambiente. Ele apontou que, apesar de o Brasil ter avançado bastante na implementação de um política relacionada ao baixo carbono desde 2009, o atual governo poderia se dedicar mais ao assunto. “O Brasil teria condições de fazer uma proposta arrojada e, em algum ponto vamos convergir com a UE nas políticas ambientais, porém não vejo que este seja o momento”.

O XXII Fórum Brasil-Europa foi organizado pela Fundação Konrad Adenauer em parceria com o Grupo Parlamentar para relações Brasil-UE, a Delegação da União Europeia no Brasil e a Universidade de Brasília, e com apoio da EUBrasil e do InfoRel.