EUBrasil: Desenvolver cooperação em novos serviços de ITC para enfrentar a competição global

Stefano Agnelli, the director of European Institutional Affairs at Eutelsat and a member of EUBrasil

Stefano Agnelli, the director of European Institutional Affairs at Eutelsat and a member of EUBrasil

Os esforços da cooperação entre Brasil e União Europeia devem se concentrar em projetos industriais para fazer face à emergência de novos serviços como computação em nuvens, impressoras 3D e smart cities. Essa foi a principal conclusão do jantar-debate promovido pela Associação EUBrasil, dia 10 de novembro, em Bruxelas, no contexto do VII Diálogo Brasil-EU sobre a Sociedade da Informação.

Diversas autoridades e representantes dos setores governamental, privado e acadêmico da União Europeia (UE) e do Brasil se reuniram para discutir desafios e promover esforços para impulsionar investimentos na área das telecomunicações e tecnologia da informação, além de fortalecer o setor industrial.

“Vamos trabalhar juntos, Brasil e Europa”, disse o presidente da EUBrasil, Luigi Gambardella, na abertura do encontro.

“Nós precisamos pensar juntos como reformular a estrutura regulatória dos nossos mercados, com o objetivo de redefinir a relação entre operadores de Telecoms e provedores de Internet. Precisamos também trabalhar para aumentar a cooperação nas áreas de privacidade e proteção de dados e do consumidor, além de direitos autorais, segurança e governança”.

Para Gambardella, a prioridade hoje é promover os esforços concentrados em novos serviços como nuvens, impressoras 3D, smart cities. “Estas são áreas onde Europa e Brasil deveriam começar os estudos comuns e os projetos industriais”, afirmou.

Para o diretor geral adjunto da DG Connect da Comissão Europeia, Roberto Viola, a troca de experiências com o Brasil é essencial para desenvolver políticas e alternativas no mercado altamente competitivo das Telecomunições. “O Brasil joga atualmente na Primeira Liga do setor de ITC”, disse Viola, fazendo uma metáfora relativa ao mundo do futebol. Para ele, dividir experiências com profissionais brasileiros “permite um melhor entendimento de como lidar com as questões globais porque vivemos em uma economia global”.

No mesmo sentido, o diretor geral-adjunto antitruste da DG Competição, Cecílio Madero, considerou o encontro uma ocasião especial de discutir sobre desafios e soluções no setor. “Este tipo de reunião nos fornece bases de conhecimento para realizar ações individuais e em conjunto no futuro”, afirmou.

“O desfio atual é desenvolver uma espécie de tecnologia em joint venture”, afirmou o secretário de Políticas de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgílio de Almeida. Disse ainda que a “relação vai bem, mas ainda precisa ser melhorada”.

Virgilio de Almeida reforçou que o Brasil está trabalhando na terceira chamada coordenada para pesquisa das tecnologias das comunicações porque é uma oportunidade não somente de juntar pesquisadores mas de envolver o setor industrial.

Visão Parlamentar

A eurodeputada Pilar del Castillo chamou atenção para o importante papel geopolítico que o Brasil representa na América Latina. “Quando se fala em relação transatlântica, pensamos em Estados Unidos, mas na verdade o Brasil também é um líder regional e tem muito que contribuir nas discussões de ITC”, afirmou del Castillo.

Investimentos no Brasil

Representando o setor privado, Stefano Agnelli, diretor da Eutelsat para Relações com as Instituições Europeias e membro da EUBrasil, explicou que o avanço das tecnologias dentro da área de ICT pode criar oportunidades concretas na área de comunicação por satélite, em aplicações chaves como bandas largas, TV, conectividade em voos entre outras.

“Por exemplo, a Eutelsat está comprometida em realizar amplos investimentos no país. Brasil e América Latina estão de fato na frente e no centro de nossos investimentos. Outras companhias europeias estão fazendo o mesmo”, frisou Agnelli.

Análise de mercado – Brasil-UE

No encontro também foi apresentado o estudo “Brasil and EU digital economies: recent developments”, encomendado à Cullen International pela EUBrasil.

O relatório indica que, na Europa, a receita do setor de ITC foi de € 323,6 bilhões em 2012, o que representa uma queda de 3,3%, em relação ao ano anterior. O mercado de telecomunicações brasileiro tem crescido de maneira contínua, com a receita bruta chegando à €43 bilhões em 2013. O aumento anual nas receitas foi de quase 4,4%, em 2013, e 5,3% em 2012, o que representa aproximadamente 4,7% do PIB brasileiro.

Porém, a média de penetração da banda larga aumentou de 4,9% da população europeia, em 2004, para 30%, em 2014, fomentada pela queda de preços e ofertas de maior velocidade, graças à pressão criada pela competitividade no mercado.

Para a versão completa do estudo “Brazil and EU digital economies: recent developments” clique aqui

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A reunião contou ainda com a presença do eurodeputado Carlos Zorrinho, vice-presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Brasil; de altos funcionários europeus como Mario Campolargo; vice-diretor geral da DG Conect; Reinald Krueger, líder da Regulação, Coordenação e Marketing da DG Connect; Virgilio de Almeida, secretario de Políticas de IT do Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação; Jose Gustavo Sampaio Contijo, diretor de Industria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações; ministro Luis Galvão, da missão brasileira na UE entre outros.