Uma eleição difícil de prever o vencedor

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Jornalista Richard Lapper, diretor do Latam Confidential, do Financial Times, fez análise das eleições presidenciais no Brasil durante coquetel oferecido pela associação EUBrasil, no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

“As eleições presidenciais no Brasil têm sido uma das mais difícieis de prever o resultado”, afirmou o jornalista Richard Lapper, diretor do Latam Confidential, do Financial Times, durante evento oferecido pela EUBrasil, no último dia 13.

Richard Lapper destacou que Aécio Neves tem feito, desde o primeiro turno, uma campanha bastante sólida, mas questionou se isso será suficiente para sua vitória, em um segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff. “Essa é a principal pergunta e é uma bem difícil”, afirmou ele.

O jornalista destacou que o país passou por três grandes mudanças, incluindo a consolidação da democracia, a consolidação da estabilidade macroeconômica e a inclusão social.

“A hiperinflação é hoje uma memória distante para o país. O Brasil ainda tem dificuldades com a inflação, mas é hoje de 6%, e não 60, 600 ou 6000%”, afirmou Lapper.

Ele ressaltou que essa estabilidade econômica foi trabalho do governo de Fernando Henrique Cardoso, presidente entre 1995 e 2002, e consolidada por Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2010. “Em relação a mudanças a longo prazo, o processo de inclusão social é outro ponto fundamental no país. E isso foi possível graças à estabilidade macroeconômica. Não seria possível tirar as pessoas da pobreza sem eliminar a hiperinflação. O Bolsa Família é um programa famoso, um ícone, introduzido pelo governo brasileiro e que foi expandido, beneficiando cerca de 13 milhões de famílias no fim do governo Lula.”

Richard Lapper lembrou que Dilma Rousseff chegou ao governo com os objetivos de reduzir custos de fazer negócios e de capital para tentar fazer crescer a produtividade no Brasil. “Temos que reconhecer que isso não saiu como o esperado. Na verdade, este é um governo que tem sido perseguido por queda dos índices de crescimento e um verdadeiro colapso na confiança dos consumidores”.

Lapper lembrou que Dilma Rousseff tem o apoio das classes mais pobres do Brasil. “No primeiro turno, na região Nordeste, que é a mais pobre do Brasil, Dilma teve mais de 50% dos votos em 11 estados. Apesar da desaceleração da economia, o fato de o desemprego ser hoje tão baixo no país é uma grande conquista para que ela continue a ter esse apoio.”

Sobre as possíveis mudanças no país, se Aécio Neves vencer, ele afirmou que a primeira coisa que deve acontecer é uma alta na Bolsa brasileira. “Dilma Rousseff perdeu a confiança de investidores nos mercados doméstico e internacional. A Bovespa teve alta de cerca de 30%, entre abril e o primeiro turno, baseado na aposta de uma vitória da oposição. Os investidores apostam porque acreditam que a administração de Aécio Neves vai ser mais consistente em termos de políticas macroeconômicas e com um approach mais favorável ao mercado.”