Troca de ofertas entre Mercosul e UE pode sair até junho, diz Associação EUBrasil

Ainda é viável fechar, até junho, uma oferta comum de bens do Mercosul à União Europeia (UE) para dar continuidade às negociações para o acordo de livre comércio entre os dois blocos, segundo o presidente da Associação EUBrasil, Luigi Gambardella.

“Sabemos que faltam apenas alguns pontos para que um dos países do Mercosul consiga melhorar a oferta dele e aumentar a média do bloco, uma vez que todos os demais parceiros já colocaram sobre a mesa a liberalização de mais de 90%, que é o mínimo acordado com a UE”, diz Gambardella.

“Um acordo de livre comércio entre UE e Mercosul aumentaria os ganhos de bem-estar dos consumidores e das empresas. Graças ao acordo, o comércio entre as duas regiões cresceria de forma significativa. Além disso, haveria um reforço dos investimentos nos dois sentidos. Barreiras tarifárias e não-tarifárias retêm uma quantidade significativa de negócios e investimentos e privam os consumidores e exportadores de benefícios consideráveis”.

“Em suas fronteiras, a Europa pratica tarifas elevadas sobre diversos produtos agrícolas, impedindo os produtores do Mercosul de abastecer o mercado europeu a preços competitivos. Da mesma forma, barreiras tarifárias e não-tarifárias sobre produtos manufaturados europeus reduzem as oportunidades dos consumidores do Mercosul adquirir alguns de seus produtos preferidos”, afirma Gambardella.

De acordo com o relatório de impacto econômico da Copenhagen Economics “Avaliação das barreiras ao comércio e ao investimento entre a UE e o Mercosul”, de 2011, um acordo ambicioso de livre-comércio UE-Mercosul, que englobe remoções tarifárias abrangentes, uma notável redução de barreiras não-tarifárias sobre bens manufaturados e uma redução de barreiras sobre serviços e investimentos, aumentaria o PIB da UE em 15 ou 21 bilhões de euros (correspondendo a 0.2% de crescimento) e em 2 a 3 bilhões de euros nos países do Mercosul (correspondendo a 0.3% de crescimento). Na avaliação do presidente da Associação, “o Brasil tem uma grande oportunidade de beneficiar-se de mais investimento europeu, mas corre o risco de perder competitividade se não se envolver nas negociações bilaterais”.

Compromisso

O presidente do Conselho Consultivo da EUBrasil e professor na The Paris School of International Affairs (PSIA) e no Institut d’Etudes Politiques de Paris, Alfredo Valladão, argumenta que é importante que o setor privado continue defendendo o acordo.

Segundo Valladão, o Brasil deve se orgulhar do enorme progresso que tem feito nos últimos anos, mas não pode se dar ao luxo de ficar fora dos acordos comerciais globais se quiser ampliar sua posição econômica e política no mundo.

“Outros blocos seguem trabalhando e avançando em suas negociações, como por exemplo, Estados Unidos e União Europeia, EUA com os parceiros do Pacífico, UE com o Japão etc. É muito importante que o governo brasileiro continue a manter o seu forte compromisso com as negociações, apesar das eleições em outubro”, avalia.

“A indústria brasileira apoia o acordo UE-Mercosul e deve continuar pressionando o governo para aproveitar esta janela de oportunidade. O mundo continua trabalhando e faz progressos: todos estão negociando entre si”, afirma Valladão.

……………………..

Números: A Europa já é o maior parceiro comercial do Brasil, totalizando 22% do seu comércio, e também o maior investidor no país, com mais de 40% do total.

Calendário: Os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) tentarão no dia 7 de maio fechar a oferta comum que o bloco sul-americano deverá oferecer à União Europeia no âmbito das negociações para o acordo de Associação.