UE quer reduzir financiamento para investimentos na América Latina

Por Assis Moreira – Valor Econômico


A União Europeia (UE) quer reduzir em 26,1% o volume de financiamentos do Banco Europeu de Investimentos (BEI) para a América Latina para os próximos sete anos, comparado ao período 2007- 2013. A decisão gerou críticas.

Oficialmente, as garantias de financiamento do BEI para a região são insignificantes. Entretanto, a sinalização que Bruxelas dá com esse anúncio inquieta o setor, segundo afirma a Associação EUBrasil, que promove as relações bilaterais.

O montante oficial de garantias de financiamento cairiam de 2,912 bilhões de euros para 2,150 bilhõ es de euros. Na verdade, somando várias outras linhas de crédito, o BEI planejava financiar pelo menos 8 bilhões de euros em projetos de empresas europeias na América Latina e na Ásia nos próximos sete anos. Mas analistas estimam que os financiamentos baratos do banco para o exterior encontram resistência política no cenário atual de persistente crise econômica, desemprego recorde e pouco dinheiro da própria União Europeia.

Sem surpresa, alguns setores na UE avaliam que ao ajudar empresas a investir no estrangeiro, o BEI está indiretamente deslocando postos de trabalho para fora da Europa.

A decisão de cortar financiamentos para a América Latina “não apenas reduz recursos do BEI para investimentos europeus na região, como será interpretado por investidores como um sinal de menor interesse da UE na América Latina”, escreve Luigi Gambardella, presidente da EUBrasil, em carta ao presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso. “Estamos particularmente preocupados com o impacto que essa decisao terá nos investimentos europeus no Brasil, com implicações negativas não apenas para a economia brasileira como também para um número significativo de companhias europeias que investem no país’, acrescenta Gambardella na carta a Barroso.

Apesar das cifras pequenas, é o simbolismo que conta nesse caso. Gambardella lembra que a UE como bloco é o principal investidor no Brasil, e o Brasil o quarto maior investidor estrangeiro na UE.

O BEI é o banco de investimento de longo prazo da UE, com 60 bilhões de euros de financiamento em média, por ano, mais do que faz o Banco Mundial. Desse montante, 90% vai para projetos nos 27 países do bloco comunitário, ficando uma pequena fração para o exterior.

O BEI tem estudo mostrando que as empresas europeias que mais resistiram à crise tem sido as que já tinham uma presença também fora, sobretudo em países com boa expansão econômica como é o caso do Brasil e da China.

O BEI financiou com taxas baratas 35 projetos de investimento no Brasil num montante de 2,5 bilhões de euros nos últimos seis anos. São investimentos industriais de grandes empresas europeias no país, como Shell, Portugal Telecom, Pirelli, Michelin, Fiat e várias outras, que estão geograficamente diversificadas e em setores variados.

O último financiamento aprovado foi de 75 milhões de euros para um projeto de apoio a pequenas e médias empresas no Nordeste. O desembolso ainda depende de negociações com o Itaú, a instituição intermediária, sobre garantias que o BEI pede ao banco e este pedirá às PMEs.

Fonte: Assis Moreira – Valor Econômico