(LUSA) Alertas Telecomunicações – Telecom: Associação europeia ETNO alerta Bruxelas para a necessidade de mudar regras do setor

Alertas Telecomunicações – Telecom: Associação europeia ETNO alerta Bruxelas para a necessidade de mudar regras do setor

Lisboa, 30 jun (Lusa) – A Associação europeia de operadores de redes de telecomunicações (ETNO) enviou uma carta a Bruxelas a alertar para a necessidade de alterar a “rígida regulação”, de modo a garantir a continuidade de investimento privado no setor.
No final deste mês, a ETNO, que tem entre os seus membros os principais operadores de telecomunicações Europeus, onde se inclui a Telecom Itália, Telefónica ou Portugal Telecom, enviou uma carta ao Conselho Europeu para o Emprego, Crescimento e Produtividade, aos chefes de Governo da União Europeia (UE) e ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a alertar para as dificuldades que o setor enfrenta.
Em causa estão os elevados investimentos que os operadores fazem em termos de Internet de alta velocidade e o baixo retorno, a par de uma regulação que a associação classifica de rígida.
“O setor atravessa uma fase muito difícil na Europa, pelo quarto ano consecutivo as receitas estão a diminuir e essa tendência vai continuar no futuro”, disse à Lusa Luigi Gambardella, presidente executivo da ETNO.
As estimativas apontam para quebras de 2 a 3 por cento das receitas nos próximos anos, enquanto os custos crescem e o tráfego de dados explode, pelo que a capacidade de continuar a investir começa a reduzir-se, disse.
“O modelo económico da Internet não está a funcionar, não há retorno adequado para o investimento realizado pelos operadores”, acrescentou Luigi Gambardella, que lembrou que o setor investe 40 mil milhões de euros por ano.
O ponto, segundo o responsável, passa pelo facto dos operadores investirem cada vez mais para proporcionarem aos seus clientes melhores ligações de banda larga para que estes tenham acesso a conteúdos mais pesados, que são fornecidos por entidades designadas por ‘over the top’, onde se incluem o Google, Youtube ou Facebook, os quais não pagam nada.
“O tráfego de dados está a explodir e a receita é pequena, o investimento é muito grande, enquanto os serviços de voz têm vindo a cair. Este modelo de sustentabilidade tem de ser alterado”.
O presidente da ETNO sublinhou que o setor quer continuar a investir, mas tem de haver retorno.
“Acreditamos que é importante incentivar o investimento privado e criar condições de mercado para que haja um retorno adequado”.
O investimento nas telecomunicações, sublinhou, tem dois problemas: é de elevado risco e tem uma base de capital muito grande.
A regulação europeia obriga os operadores a abrirem as suas redes a outras empresas, o que para a ETNO significa “abrir a inovação do que se faz”.
Por exemplo, nos Estados Unidos não há regulação da fibra ótica, apontou Luigi Gambardella.
Por isso, na carta, a ETNO propõe uma redução da pressão regulatória no setor das telecomunicações para que seja possível garantir os investimentos e também que os ‘over the top’ passem a contribuir para o desenvolvimento das novas redes de banda larga.
Por outro lado, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) vai debater, no final do ano no Dubai, a reforma do setor.
“A UIT vai discutir a mudanças das regras internacionais das telecomunicações e, por isso, a ETNO mandou uma proposta onde afirma que a revisão das normas de regulamentação internacionais devem tomar em consideração os desafios da nova economia da Internet e o princípio de que os operadores recebem a justa compensação, e as suas receitas não devem estar desligadas das necessidades de investimento causadas pelo rápido crescimento do tráfego da Internet”.
Para o presidente da ETNO, face à atual situação não é só o investimento que está em risco, mas no futuro também serão os postos de trabalho, uma vez que esta área é uma das maiores impulsionadoras de criação de emprego na Europa.
Atualmente, o setor emprega cerca de 1,2 milhões de pessoas na Europa.

ALU
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