Valor Economico: Na Europa, teles lutam para taxar conteúdo

Na Europa, teles lutam para taxar conteúdo

Assis Moreira | De Basileia  Valor Economico 10/05/2011

Empresas de telecomunicações europeias querem cobrar de companhias como Google, YouTube, Facebook, Yahoo e Skype pelo custo que criam no tráfego de suas redes e, assim, ajudar a financiar suas infraestruturas, num confronto que mobiliza as autoridades europeias. “Está em jogo a sustentabilidade do modelo de internet”, diz o italiano Luigi Gambardella, presidente da Associação Europeia de Operadores de Telecomunicações (Etno). A entidade é formada por 40 grandes empresas com receita de € 250 bilhões no ano passado, e que dizem ser responsáveis por 70% dos investimentos no setor. Atualmente, diversos operadores na Europa já não conectam chamadas pelo Skype por meio de suas redes. Esse serviço de chamada de voz sobre IP (VoIP) acaba reduzindo o faturamento dessas companhias. Mas, na opinião de alguns críticos, é preciso ser respeitado o princípio da neutralidade da web, conceito pelo qual todos os conteúdos circulam pela internet sem distinção de formato, origem ou destino. A União Europeia entrou na briga em abril, passando a investigar se as empresas de telecomunicações estão fazendo a gestão no tráfego da internet como uma maneira de discriminar concorrentes ou consumidores com uso intensivo de dados. O fato concreto, para operadores, é que os fornecedores de conteúdo acabam gerando um tráfego de dados gigantesco que ameaça sobrecarregar as infraestruturas das redes. Por outro lado, eles não contribuem para sua manutenção ou melhora, o que onera as teles. Na avaliação de Gambardella, é necessário encontrar soluções para atenuar a pressão econômica sobre os operadores de rede. “A internet é um mercado de dois lados”, argumenta. “Os consumidores se beneficiam do acesso a uma variedade de conteúdo, enquanto os fornecedores de conteúdo se beneficiam do acesso a uma ampla gama de consumidores graças à banda larga”. Ele diz que os operadores de rede fornecem a plataforma para essa relação e propõe a criação de um sistema de tarifas equilibrado para teles e empresas de web. O representante das empresas de telecomunicações estima que, se não houver novas fontes de receita para os operadores de rede, crescentes problemas de congestionamento afetarão o consumidor e limitarão a inovação. Por sua vez, fornecedores de conteúdo terão mais dificuldade em atingir os consumidores. O pagamento pelo tráfego na internet tem sido centrado no cliente, mas o representante da Etno considera que os fornecedores de serviços terão motivo para pagar uma taxa para as redes, inclusive pela qualidade e prioridade que eles podem ter. “Esse é um debate que logo vai chegar ao Brasil e a outras regiões”, avisa Gambardella, sem saber que os brasileiros já vêm discutindo o assunto. Na Europa, o plano de Bruxelas é de que os setores público e privado apliquem entre € 180 bilhões e €270 bilhões para alcançar a meta de metade dos lares europeus terem conexão de internet mínima de 100 megabits por segundo até 2020.