5G requer competição maior, diz EU-Brasil

Por Assis Moreira, Valor Economico

5G

O Brasil deveria favorecer o ingresso de novas companhias estrangeiras no mercado de telecomunicações, para ajudar nos investimentos bilionários na quinta geração de serviços móveis (5G) no país, que poderá impor novo modelo de negócios.

É o que sugere Luigi Gambardella, presidente da EU-Brasil, entidade que promove as relações entre a Europa e o país. Gambardella também foi presidente da associação europeia de operadores de redes de telecomunicações (Etno).

A expectativa na Europa é de que a tecnologia de 5G se torne realidade em 2020. Para Gambardella, é essencial que um país do porte do Brasil se prepare também para isso.

“O Brasil deveria ser um dos primeiros países do mundo a introduzir 5G”, afirma. “O 5G ajudará enormemente a indústria brasileira a agilizar a transformação da produção de analógica para digital, com adoção de mais robôs e avanços na inteligência artificial. Será possível introduzir novos serviços, como carros sem condutor.”

Ocorre, segundo Gambardella, que hoje os operadores no Brasil “não parecem dispostos a efetuar os investimentos necessários e por isso é oportuno abrir o mercado”.

A seu ver, a introdução do “wholesale-only model”, pelo qual a companhia opera apenas no segmento de atacado, “poderia enfim abrir o mercado brasileiro para mais concorrência no varejo e ao mesmo tempo resolver o problema de cobertura das redes fixa e móvel no país inteiro, em particular nas áreas rurais”.

Ele acrescenta que se o modelo “wholesale-only” for desenhado com “apropriados incentivos financeiros”, como ocorreu no México, por exemplo, seria possível atrair considerável capital externo numa nova rede nacional da próxima geração.

Também presidente da entidade UE-China, Gambardella acredita que “muitos investidores chineses estariam interessados em realizar [no Brasil] projetos alternativos aos que existem atualmente” no setor de telecomunicações.

O executivo cita estudo do Banco Mundial, estimando que um aumento de 10% na velocidade das conexões da internet resultaria em maior crescimento econômico de até 1,3%.